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A Batalha e suas vizinhanças

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A vida urbana e cultural na baixa do Porto

Desta vez tivemos como ponto de encontro para mais uma visita cultural, a Igreja de Santo Ildefonso. Eram cerca de 10 horas da manhã do dia 22 de Outubro e o movimento que se verificava nesta zona  de turistas, era notório… sinal de que a história, arte e beleza da nossa cidade do Porto cativa quem a visita.     


Depois do grupo completo, subimos então a antiga escadaria em direcção ao interior da Igreja de Santo Ildefonso onde ficámos a saber que já no século XII existia aqui uma pequena ermida dedicada a Sant’Ilafon local de passagem de muitos peregrinos, pois foi a primeira igreja a ser construída fora do Burgo, das Muralhas Fernandinas. A Igreja actual, de planta octogonal, foi concluída no ano de 1737 e da sua decoração destacam-se os azulejos da fachada, que datam do ano de 1932 bem como o altar-mor em talha dourada e artística, obra atribuída a Nicolau Nasoni e a Miguel Francisco da Silva.Batalha

Os altares em estilo Barroco e Neo-Clássico do final do século XIII são maravilhosos, salientando o painel existente de Santo Ildefonso, tendo como fundo a vista da cidade do Porto, bem como a sanefa original do altar, trabalho riquíssimo de talha dourada e artística e que actualmente se encontra em exposição na sacristia da Igreja. Curiosas as imagens colocadas na partes laterais, perto do altar-mor, representando vários Santos acompanhados dos seus ícones… São Marcos com o seu Leão, São Mateus com o Menino, S. Lucas com o seu Boi, S. João com a pena e a águia, S. Paulo com a sua espada e São Pedro com a chave…. Muito interessante e a não perder! De referir também os lindíssimos vitrais que esta Igreja possui, datados do ano de 1967. Lindos! De visita obrigatória é o baptistério que nos apresenta um trabalho excepcional de mármore, em peça única.

Continuamos o nosso percurso em direcção à Praça de Batalha. A Praça da Batalha torna-se no século XIX, um importante eixo viário e um centro de atracção cultural da cidade. Aqui vão surgir hotéis, cafés, teatros, cinemas, como o Águia d’Ouro e o Novo Salão High Life, que acompanharam o crescimento e a afirmação do cinema no Porto do início do século XX. O célebre High Life que se tornou na primeira sala construída de raiz para a projecção cinematográfica na cidade. O Águia d’Ouro foi construído para a realização de espectáculos de teatro e circo, posteriormente também para a projecção de cinema. Actualmente foi transformado num bonito hotel, do centro da nossa cidade.  
Batalha
Mais adiante o Cinema Batalha. Edifício de linhas simples e onduladas, com caras à arquitectura moderna, foi projectado pelo Arquitecto Artur Andrade. Inaugurado em 1947 e apresenta nas suas paredes trabalhos de artistas plásticos como o baixo-relevo de Américo Braga e os frescos de Júlio Pomar, artistas considerados nesta época, polémicos. Foi o maior cinema da baixa portuense até ao final do século passado, tendo ainda acolhido inúmeras sessões do Cineclube do Porto.

 

 

Continuando esta nossa visita e ouvindo atentamente a explicação de todo o historial desta zona, eis-nos chegados à Rua Cima de Vila. Cimo de Vila correspondia na época medieval ao local mais elevado no extremo de uma povoação. Mantém ainda o seu traçado sinuoso e estreito, ladeada por casas populares do século XVIII e XIX. Actualmente esta rua é exemplo de multiculturalismo, onde tabernas, estabelecimentos comerciais, bares de alterne e pensões baratas convivem com a progressiva chegada de pessoas de diferentes comunidades.

Observamos também a Igreja da Venerável Irmandade de N.S. do Terço e da Caridade, construída na segunda metade do século XVIII a qual faz parte dum grande edifício constituído por um hospital e pela casa do despacho da referida Irmandade. Apresenta uma fachada decorada com uma custódia em granito lavrado e a representação de um terço. Ainda hoje funciona como hospital, conhecido mais como a Ordem do Terço.
Batalha
Para finalizar esta nossa visita cultural dirigimo-nos então ao Teatro Nacional São João Novo.
Em 1978 foi criado em homenagem ao então príncipe regente D. João IV, o Real Theatro de S. João, único teatro lírico da cidade e de enorme referência cultural, onde nessa época se realizavam espectáculos de teatro e ópera, o qual foi destruído por um incêndio no ano de 1908.


Herdeiro deste primitivo teatro lírico do Porto, foi o Arquitecto Marques da Silva que projectou a sua nova construção entre 1912 a 1920, ano em que o mesmo foi então inaugurado, com o nome de Teatro São João.
Em 1932 passou a ser utilizado para a projecção de cinema, conhecido também popularmente de cinema São João.
Em 1992 foi adquirido pelo Estado e esteve fechado até meados de 1995, ano em que abre novamente ao público com a designação de Teatro Nacional de São João, trazendo a apresentação de espectáculos de dança, teatro e música.

 

Actualmente é uma das referências culturais da cidade que aposta numa programação diversificada, apoiada no teatro e nas artes performativas. Tem como principais objectivos a criação e apresentação de espectáculos de teatro, segundo padrões de excelência artística e técnica… e como eixo programático a defesa da língua portuguesa.
O seu interior é magnífico e a não perder! São visíveis na sua arquitectura vários estilos desde o barroco, neoclássico, rococó. As suas bonitas tapeçarias revelam também a sumptuosidade deste edifício.
Interessante foi também a visita aos “bastidores” de funcionamento deste teatro, onde existe uma máquina gigante necessária à realização dos espectáculos e da qual nem nos apercebemos. Desde o fosso da orquestra e dos elevadores, ao local onde se constroem cenários, aos roupeiros, às salas onde se guardam os instrumentos musicais, aos camarins, e outros tantas coisas que nem pensámos existir, debaixo da magnífica sala onde tranquilamente nos sentamos para assistir ao espectáculo. Foi uma óptima esta visita…


Quero (e penso todo o grupo também) deixar aqui uma palavra de agradecimento, quer ao CCD/APDL na pessoa da Maria Luisa, que nos proporciona estas oportunidades de podermos “viver” melhor esta cidade, quer ao Prof. Daniel que com o seu entusiasmo e conhecimentos históricos nos motiva cada vez mais para estarmos sempre na primeira fila destes eventos culturais.
Ficamos à espera da próxima!

 

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