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O Carro Eletrico no Porto

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O transporte público da cidade: de Massarelos ao Carmoeletrico1
Foi na tarde do dia 28 de Janeiro de 2012, cheia de sol, embora o dia tenha acordado bastante frio, que mais uma vez nos reunimos para efectuarmos outra espectacular visita cultural, visitas estas que continuam a entusiasmar e alegrar todos os participantes.
Desta vez o encontro deu-se junto ao Museu do Carro Eléctrico, onde como sempre, o Prof. Daniel Afonso nos acolheu com palavras simpáticas e nos preparou para então iniciarmos a nossa visita e poder apreciar as diferentes composições de carros sobre carris, bem como toda a sua história.

 
O Museu do Carro Eléctrico foi um espaço criado no ano de 1992, de forma a divulgar a história e o património dos transportes públicos sobre carris, do Porto. Neste edifício, funcionava a central Termoeléctrica de Massarelos, (casa das máquinas e das caldeiras a vapor) que produziam energia suficiente para alimentar a rede de carros eléctricos.
Já no interior do Museu, fomos acompanhados por um guia “especializado” deste espaço, que com muita boa disposição e versatilidade, nos foi contando a história que caracteriza cada “Máquina”, os seus prós e contras, a evolução de cada uma, desde o início da sua existência nesta cidade.

 
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Começou por nos apresentar o meio de transporte que inicialmente existia para deslocação: o Carroção (também conhecido como o Pai do Eléctrico) e que era puxado por bois, isto no final do século XIX. A sua velocidade chegava aos 5Km à hora e era essencialmente utilizado pelas famílias burguesas. Demorava a fazer o percurso do Porto à Foz, um dia!!!!!!! A moeda era a troca de bens e serviços. Não existiam bilhetes!!

 
Massarelos era uma pequena povoação distante do burgo portuense, cuja população vivia do mar e da extracção de sal. Mas no final do século XVIII a Paróquia de Massarelos foi definitivamente integrada na cidade do Porto. Nos séculos seguintes sofreu um importante processo de industrialização que passou pela implantação de várias fábrica e fundições. O carro eléctrico permitiu assim a aproximação dos distintos bairros portuenses, pelo que no ano 1872, a cidade do Porto viu surgir o primeiro Carro Americano. O Carro Americano, era composto por carruagens sobre carris, puxadas por duas ou mais parelhas de cavalos; transportava pessoas e mercadorias, fazendo apenas a ligação do centro da cidade com a Foz do Douro e Matosinhos. Ficaram conhecidos por este nome por terem sido inventados nos Estados Unidos da América em 1832. Pertenciam à Companhia Carril Americana que detinha a sua concessão e já possuiam bilhetes, guarda-freio e cobrador ou como na gíria chamamos (o Pica)…

 
Também este carro ficou conhecido como o carro “pneumónico”, pois como não tinha janelas, de inverno eram muito frios e cheios de correntes de ar, levando muitas pessoas a ficarem doentes, tendo assim o povo lhe atribuido esta alcunha!
Em 1895 surge o Carro Eléctrico… a sua primeira linha regular e também a primeira da Peninsula Ibérica. Fazia a ligação entre o Carmo e a Alameda de Massarelos.
A rede de carros eléctricos acompanha o crescimento urbano do centro para a periferia e torna-se indispensável ao seu desenvolvimento. O eléctrico assume-se assim como o carro do povo, das classes operárias da periferia que procuravam trabalho na cidade.

 
De referenciar os simpáticos e críticos sketches que nos foram oferecidos durante a visita, e que nos deram uma ideia da forma como era “encarada” a evolução deste meio de transporte pelo povo, bem como das suas desconfianças sempre que chegavam carros diferentes, mais modernos. Foram momentos bem dispostos e muito engraçados.
Mas entretanto os Transportes Colectivos do Porto, serviço já existente no Porto, começaram a fazer os seus próprios carros eléctricos. Eram eléctricos bonitos, diferentes, antipendura, muito modernos e elegantes para essa época. E foi por tudo isto que ficaram conhecidos pelos “pipis”, “Tirones”, etc.! Mas estes carros surgem já um pouco desfasados do tempo, pois em 1959 chega o Trólei-carro, também conhecido como “Pantufas”, nome atribuído e muito bem, dado ser mais silencioso que o eléctrico; tornam-se também mais barato e muito menos poluente pelo que foram muito bem aceites. Com a chegada do “trólei-carro” os eléctricos perdem a sua predominância!eletrico3
Depois desta magnifica visita ao Museu, fizemos a viagem de eléctrico desde Massarelos ao Carmo, matando assim as saudades dum tempo que pertence ao passado!

 
Deixámos o eléctrico na Praça Parada Leitão, (militar liberal que participou no Cerco ao Porto e Professor na Academia Politécnica) e seguimos em direcção à segunda parte desta visita excelente.
O Carmo recorda-nos a vinda dos frades Carmelitas Descalços, no início do século XVIII. Do Convento de Nossa Senhora do Carmo resta apenas a sua igreja, uma vez que a restante estrutura foi ocupada, em 1834, no quartel da desaparecida Guarda Nacional do Porto.

 
Á construção do convento dos Carmelitas Descalços, nos séculos seguintes, seguem-se a edificação da Igreja e do hospital da Venerável Ordem Terceira do Carmo. A igreja foi projectada por José Figueiredo Seixas, predominando na sua decoração do seu interior a linguagem rococó.

 
Além de visitarmos o interior da Igreja, rica em história e património cultural pudemos observar a parte que pertence ao quartel da GNR do Carmo e que eram os dormitórios do antigo convento.

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Para finalizar a visita, fizemos uma pequena paragem na actual Praça Gomes Teixeira, praça   onde antigamente se efectuavam feiras e mercados como a do pão e farinha.
Ali encontramos a actual Reitoria da Universidade do Porto projectada por Carlos Amarante, no inicio do Séc. XVIII. Esta praça é também conhecida pelos “Leões”, devido aos leões do seu fontanário construído pela Compagnie Generale Dês Eaux pour l’Etranger, que nessa época detinha o exclusivo do abastecimento de água à cidade.
Certamente muito mais teríamos para aprender, mas o tempo passou sem darmos por isso.

 
E assim acabou a visita…. Esta! Pois de certeza muitas outras virão igualmente cheias de história e novidades!

 


 

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