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Etapa 3 - de Pedra Furada a Tamel

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Eram por volta das 07h40 quando começou a chegar o grupo de aventureiros à APDL, com alguma exceções, que adormeceram... Oh meninas, como dizem os nossos guias, o problema não é a malta adormecer, o problema é a malta não acordar! Deveriam ser perto das 08h:30m, quando partimos rumo a Pedra Furada, onde tomamos o pequeno-almoço no afamado restaurante com o mesmo nome.

Repostos aqui os níveis calóricos, partimos então em direção a Barcelos, o maior concelho de Portugal!
Administrativamente o município de Barcelos fica no distrito de Braga. É um dos vinte e três municípios portugueses com mais de 100 mil habitantes. Barcelos é limitado a norte por Viana do Castelo e Ponte de Lima, a leste por Vila Verde e por Braga, a sudeste por Vila Nova de Famalicão, a sudoeste pela Póvoa de Varzim e finalmente a oeste por Esposende. O município é subdividido em 86 freguesias reordenadas em 61 autarquias.
É impossível falar-se deste concelho sem nos referirmos à "Lenda do Galo de Barcelos".

Reza a história, que a intervenção milagrosa de um galo morto na prova da inocência de um homem erradamente acusado está associada ao monumento seiscentista que faz parte do espólio do Museu Arqueológico, situado no Paço dos Condes de Barcelos.
Em tempos, os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um crime e, não se conhecia o responsável pelo mesmo, até que certo dia, apareceu um galego que se tornou suspeito.
As autoridades resolveram prendê-lo, apesar dos seus juramentos de inocência. O pobre do homem dizia que estava apenas de passagem, em peregrinação a Santiago de Compostela, em cumprimento de uma promessa.

"Condenado à forca, o homem pediu que o levassem à presença do juiz que o condenara. Concedida a autorização, levaram-no à residência do magistrado, que nesse momento se banqueteava com alguns amigos. O galego voltou a afirmar a sua inocência e, perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que estava sobre a mesa e exclamou:
- "É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem."
O juiz empurrou o prato para o lado e ignorou o apelo, mas quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo assado ergueu-se na mesa e cantou. Compreendendo o seu erro, o juiz correu para a forca e descobriu que o galego se salvara graças a um nó mal feito. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz."
Alguns anos mais tarde, o galego terá voltado a Barcelos para esculpir o Monumento do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a Santiago Maior, monumento este, que se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos.
Decorridos 8 kms da caminhada, fizemos então uma pequena pausa, no café "Som das Palavras" para repor energias. Primeiro carimbo desta etapa!
Momentos depois, eis que chegamos a Barcelos, onde visitamos a Igreja Matriz, o comércio local e a Igreja do Bom Jesus da Cruz.
Com a sua planta arredondada e as suas grandes dimensões, a Igreja do Bom Jesus da Cruz é uma das marcas do centro histórico barcelense, perto do Campo da Feira. Os altares de talha barroca, os azulejos do século XVIII e oito painéis em tela são algumas das atrações desta invulgar igreja.

É sem dúvida alguma, paragem obrigatória para todos os caminheiros, onde aqui é tradição, o sacristão receber os peregrinos bem como carimbar as suas credenciais.
À saída de Barcelos ainda tivemos tempo para ir ao "Minipreço" fazer umas comprinhas para o almoço.
Por volta das 13 horas paramos para almoçar e fomos tomar café ao Café "Arantes" onde fomos recebidos por uma senhora bem simpática. Bem-haja!
Após esta pausa bem merecida seguimos viagem até Tamel.
Tamel (São Pedro Fins) foi uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 2,56 km² de área e 538 habitantes. Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Campo, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Campo e Tamel (São Pedro Fins) com sede em Campo.

Em Tamel, fomos visitar o "Albergue da Casa de Recoleta" que é muito frequentado, pelo facto de situar-se estrategicamente numa das etapas principais do caminho central ou medieval a Santiago, entre Barcelos e Ponte de Lima. É já uma referência internacional nesta peregrinação medieval.
Segundo reza a história, em 1633, Belchior da Encarnação, natural de Basto, resolveu tomar a vida de eremita junto à Capela de Nossa Senhora da Portela de Tamel. Ali construiu umas casas onde viveu em penitência solitária durante 40 anos. António Pinheiro Velho, da Colegiada de Barcelos, juntou-se-lhe em 1673. Os dois eremitas fundaram então a Recoleta da Portela.
Em 1720 chegou a ter sete irmãos, mas em 1737 só tinha dois e, por este motivo, foi doada à Ordem de S. Francisco. Em 1745 foi entregue ao Arcebispo de Braga e depois vendida a particulares.

O Edifício foi adquirido pelo Município de Barcelos em 2007 para servir de Albergue a Peregrinos. As obras de reconstrução iniciaram-se em Agosto de 2008.
O Albergue da Casa da Recoleta de Tamel S. Pedro Fins foi inaugurado por Sua Excelência o Presidente do Município de Barcelos, Miguel Costa Gomes, em 18 de Abril de 2010.
Finalmente por volta das 17h30m chegamos a Leça da Palmeira. Fim de Etapa!

Leça da Palmeira, 10 de Novembro de 2017
Paula Silva