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Etapa 4 -de Tamel a Ponte de Lima

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Eram por volta das 07h40 quando começou a chegar o grupo de aventureiros à APDL e às 08 horas em ponto partimos rumo a Tamel. Chegados a Tamel, fomos ao café e pastelaria “Doce Silva”, tomar o pequeno-almoço, como já é da praxe!


Repostos aqui os níveis calóricos, eis que começou, mais uma nova aventura!
Durante o percurso até Ponte de Lima, que compreende cerca de 24kms, passamos por várias freguesias, mas não menosprezando todas as outras, as freguesias de Balugães e a de Vitorino de Piães foram as que me ficaram mais na retina. E porquê perguntam vós?
Deixem-me aqui só referir, que antes de chegarmos a Balugães, fizemos uma pequena paragem técnica na pastelaria “Rosa Cintilante”, primeiro carimbo da etapa!

Finalmente, eis que chegamos a Balugães. É uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 2,73 km² de área e 841 habitantes e, foi precisamente nesta freguesia, que ocorreu a primeira aparição mariana em Portugal.
Reza a história, “que numa tarde cálida de Agosto de 1702, andava um pequeno pastor, de nome João, a guardar, como de costume, o seu rebanho, no monte de Castro de Balugães, a três léguas ao norte de Barcelos. Subitamente, desencadeou-se uma trovoada medonha e o pequeno, entrando-se de medo, sem poder reunir o espavorido rebanho, viu-se compelido a procurar abrigo no desvão duma lapa, no lugar em que o surpreendera a tempestade. A emergir de um envoltório de luz suave, apareceu-lhe a Senhora, que lhe perguntou a razão do seu espanto e ele, que nascera mudo, desprendendo-se-lhe a fala, responde-lhe que chora de susto. Anima-o a Virgem, e diz-lhe que vá prevenir o pai (este era pe¬dreiro) que era seu desejo que se construísse ali uma ermida.
Correu a criança a comunicar as ordens rece¬bidas, mas o pai não lhe deu crédito, nem, ao menos, inquiriu do filho a razão daquela estranha mudança, pois vi-o agora a falar. Volta no dia seguinte ao monte o pastorinho, que desta vez chorava de fome; apareceu-lhe de novo a Senhora a reiterar o pedido, a fim de o alentar e de reduzir a incredulidade daquele pai insensível, adverte que vai mudar em pedaços de pão alvíssimo as migalhas, quase esgotadas, do pão negro do alforge que sobrava o esfomeado zagal; da mesma sorte, deste pão de milagre, o forno vazio da sua casa o pai encon¬traria repleto a mais não caber. E o duplo milagre deu-se».
A pequena paróquia de Balugães foi na primeira metade do século dezoito, centro poderoso de atração católica para todos os portugueses, particularmente para os fiéis da região de Entre-Douro-e-Minho. Ali acorriam diariamente piedosas romagens de peregrinos, para venerar o sítio onde a Mãe de Deus, se dignara aparecer.
A falta de imprensa periódica para reclamo e defesa deste facto sobrenatural, e sobretudo o arrefecimento da fé cristã, ocasionado entre nós, no final daquele século e na primeira metade do seguinte, pela penetração dos intensos erros maçónico liberais, na classe secular e eclesiástica, enuviaram a aparição de Balugães.
Note-se, que outros milagres ocorreram na aparição de Balugães mas a cura do Vidente, foi o maior de todos.

Santuário da Nossa Senhora da Aparecida

Antes da cura milagrosa chamavam ao pequeno pastorinho, João Mudo, e depois passou a ser tratado por “Frei João de Nossa Senhora Aparecida”.

Uma vez que, os devotos que concorriam a este local eram muitos, todos pediam que se edificasse uma casa muito grande e, com estes fervorosos desejos, todos ajuntavam pedra.
À vista destes fervorosos desejos, mandou o ilustríssimo Arcebispo Primaz de Braga, D. Rodrigo de Moura Teles, edificar à Senhora um grande e formoso templo, de estilo neoclássico (1707 a 1720), com duas torres, sendo os seus altares de estilo barroco, de uma policromia extraordinária. Aqui, poder-se-á encontrar o mais belo estilo barroco no altar-mor desta igreja.
Durante o ano acorrem milhares de devotos em romagem até este Santuário Mariano em busca de proteção.

A 15 de Agosto, realiza-se uma grande peregrinação, que parte da Capela de S. Bento em direção ao Santuário de Nª Senhora. Nela participam as freguesias dos concelhos limítrofes, pertencentes às Dioceses de Braga e de Viana do Castelo.

Na freguesia de Balugães encontramos igualmente dois lugares maravilhosos, a saber o Parque de Lazer da Peneda inaugurado em 10 de Maio de 2015 (um pequeno ginásio ao ar livre) e a Zona de lazer da Ponte das Tábuas, por sua vez inaugurado em 8 de Maio de 2004.
Esta ponte em cavalete que faz a travessia do rio Neiva aparecia já documentada em 1135. Pelo nome, depreende-se que a construção original seria em madeira, já a atual construção, datará dos meados do século XVI.

Bom, depois destes momentos relaxantes, eis que chegamos a Vitorino de Piães, a freguesia que vos falava há pouco.

Em Vitorino de Piães, encontramos uma casa particular muito peculiar que pertence à D.ª Fernanda. Esta amável senhora, recebe todos os anos os peregrinos que por lá passam, oferecendo-lhes comida e dormida de uma forma absolutamente altruísta! Quem quiser dar um contributo dá o que quiser e puder! Bem-haja D.ª Fernanda!

Por volta das 13horas, paramos para almoçar, na “Taberna Restaurante Viana”, que desde 1976 faz as delícias dos seus clientes, mas desta vez, foi uma autêntica desilusão! A senhora que nos atendeu informou que não tinha nada para nos servir… Bom ao menos, deixou-nos utilizar as suas instalações, para comermos as nossas sandes e carimbar as credenciais…

Ora depois de uma pausa bem merecida seguimos em direção a Ponte de Lima.

Quando faltavam apenas 6 kms para concluirmos a etapa, fizemos mais uma paragem técnica no café “Lotus”, onde aqui sim, fomos recebidos com muita simpatia e carinho e, claro está, mais um carimbo!

O café estava muito bem decorado mas não entendíamos o que queriam simbolizar os objetos de decoração. Foi-nos dito então, que tratava-se de imitações do “Lotus”, que são cravos que nascem em prados húmidos e nas orlas de matagais ripícolas, geralmente, na proximidade de cursos de água ou outras zonas húmidas e daí o nome do estabelecimento.

Por volta das 17:50 horas chegamos a Ponte de Lima. Ponte de Lima é uma vila portuguesa do Distrito de Viana do Castelo, região do Norte e sub-região do Minho-Lima, com cerca de 5125 habitantes. É caracterizada pela sua arquitetura medieval e pela área envolvente e é banhada pelo Rio Lima. É a vila mais antiga de Portugal!

O município é limitado a norte pelo município de Paredes de Coura, a leste por Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, a sueste por Vila Verde, a sul por Barcelos, a oeste por Viana do Castelo e Caminha e a noroeste por Vila Nova de Cerveira.
Localidade deveras importante, desde a era Romana, possuiu um Palácio da Corte do Reino de Leão, documentado por achados arqueológicos e outros documentos escritos.
É daqui também originário o queijo Limiano.

Nesta vila maravilhosa, fomos lanchar à pressa porque tínhamos indicações do Sr. Motorista, que teríamos de partir às 18h20 para Leça da Palmeira… Infelizmente, nem sequer pudemos dar uma voltinha pela vila…

Ainda a este respeito, ao longo da caminhada, reparei que fizemos demasiadas paragens, o que também fez com que no final da etapa não pudéssemos todos petiscar e confraternizar com calma, como já é habitual, pelo que relembro aos caminheiros do CCD-APDL, as regras básicas do montanhismo, que todos devemos observar e respeitar, em todas as etapas do “Caminho Português de Santiago”, que nos vão ajudar a gerir melhor o nosso tempo e a concluir todas as etapas com sucesso, a saber:

A natureza: Não perturbes a vida animal nem recolhas ou destruas plantas ou formações geológicas;
As comunidades locais: Aprecia os seus usos e costumes, sê afável, não tires fotografias sem autorização, não perturbes a sua tranquilidade;
O património cultural e histórico: Evita as ações que conduzam à sua degradação ou destruição;
A propriedade: Deixa-a vedada tal como a encontraste, não mexas nem colhas nada sem autorização, não pises terrenos cultivados;
Os caminhos e a sinalização: Privilegia os caminhos e trilhos existentes, zela pela conservação dos caminhos tradicionais;
Os sítios: Não deixes lixo, não poluas os cursos de água, não faças fogo;
O guia: Não ultrapasses o guia, ouve e cumpre as suas instruções;
Os companheiros: Sê sempre pontual, amável e solidário;
Os riscos: Circula com a precaução necessária para evitares acidentes contigo ou com outros pedestrianistas.

19:45 Horas, eis que chegamos a Leça da Palmeira e a pensar já na próxima etapa. Bem hajam!

Leça da Palmeira, 21 de Novembro de 2017
Paula Silva