Caminhos de Santiago - 7ª etapa - de Valença a Porrino

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Às 07:45 horas, partimos em direção a Valença, onde fomos tomar o pequeno-almoço no centro da cidade, na cafetaria-pão quente “ A Chave 3, Lda”, onde todos aproveitamos para carimbar as nossas credenciais.

Posteriormente fomos visitar o forte. A fortificação de Valença, situada na margem esquerda do rio Minho, remonta à transição do século XII para o XIII e destinava-se à defesa da povoação e da travessia daquele trecho do rio.
No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa, a fortificação lindeira foi inteiramente reformada pelo engenheiro militar francês Miguel de l'Ècole. Deste modo, foram reconstruídos os muros para abraçar o perímetro estendido da vila e erguidas novas estruturas abaluartadas, entre as quais, a chamada Coroada, com três baluartes (Santa Ana, São Jerônimo, e Santa Bárbara) e dois meio-baluartes (São José e Santo António), foram abertos novos fossos, sobre os quais se ergueram relevos em talude, revelins para defesa de algumas cortinas e sete novos baluartes, a saber: Carmo, Esperança, Faro, Lapa, São Francisco, São João e Socorro.

De seguida atravessamos a Ponte Internacional sobre o Rio Minho que nos levou até à cidade fronteiriça de Tui. Para trás ficou o nosso querido Portugal!
Em Tui existem várias edificações históricas das quais se destacam a Catedral de Santa Maria, O Convento das Clarisas e a Igreja gótica de Santo Domingo.
A Catedral de Santa Maria é o expoente máximo artístico de Tui e situa-se no ponto mais alto da cidade.

Tal como aconteceu com outras Catedrais, esta também sofreu reformas importantes, sobretudo no estilo gótico, que modificou entre outros aspetos, a sua fachada principal, datada aproximadamente de 1225. É considerado Monumento de interesse cultural desde 1931 e, claro está, que não poderíamos de deixar de autenticar as nossas credenciais nesta Catedral, dona de uma beleza invulgar!
Pelas emblemáticas ruelas de Tui encontramos igualmente o símbolo do “Caminho “ e a Estátua do Peregrino” nas imediações da Ponte Veiga sobre o Rio Louro.

Antes de sairmos de Tui não, podíamos deixar de provar as Taipas Espanholas e fomos visitar a “Taparia Alboio”. Aqui experimentamos uma das 10 melhores cervejas espanholas a “Estrella Galicia 1906” e a “Mahou maestra”. Ao contrário do que acontece no nosso país, em terras espanholas sempre que se pede uma cerveja é oferecido aos clientes salgadinhos para acompanhá-la. Uma forma interessante de cativar o cliente e que bem que podia pegar moda em Portugal!
Pelos caminhos de Santiago, atravessamos vários campos de cultivo, bosques e localidades rurais galegas, partilhando muitas das vezes o seu traçado com a histórica via romana XIX, que ligava Braga (Bracara) a Astorga (Arturica). Depois de atravessar a ponte da Veiga chegamos a um dos troços mais bonitos do percurso – o vale do Louro.

Infelizmente, neste troço, o “Caminho” também se faz por algumas estradas asfaltadas. No entanto, a maioria delas oferece bermas largas e seguras, por onde podemos caminhar. O grande destaque do troço Tuí-Orbenlle vai para a Ponte das Febres, onde São Telmo faleceu em 1251 quando peregrinava a Santiago de Compostela. Não chegamos a ir a Orbenlle e optamos por fazer um desvio que nos levou até Ribadelouro, onde por volta das 14 horas espanholas, almoçamos num cafezinho local.
A título de curiosidade, os 5 cruzeiros de Santa Comba de Ribadelouro, são um dos pontos de interesse a visitar nesta localidade.

Depois de um merecido descanso, atravessamos os “intermináveis” 6 km do polígono industrial de Porriño. Na rotunda de Torneiros fizéssemos um pequeno desvio e continuamos o trajeto por um circuito pedonal e ciclístico criado pelo Conselho. A vegetação e o Rio Louro acompanharam-nos até ao Albergue de Porriño bem no centro do município.
No centro de Porriño, fomos todos beber umas 1906’s bem geladihas e comer uns salgadinhos deliciosos, como recompensa do esforço que fizemos durante a etapa!
Seriam aproxidamente 19:30 horas, hora portuguesa, quando chegamos a Leça da Palmeira. Bem hajam e bom descanso!
Leça da Palmeira, 5 de Fevereiro de 2018

Paula Silva