www.ccdapdl.pt

  • Aumentar o tamanho da fonte
  • Tamanho padrão da fonte
  • Diminuir tamanho da fonte

Etapa 9 - de Redondela a Pontevedra

Enviar por E-mail Versão para impressão PDF

Eram precisamente 07:15 horas quando partimos rumo a Redondela.
No centro de Redondela fomos tomar o pequeno-almoço. Tal como vem acontecendo nas etapas anteriores, para que houvesse uma melhor gestão de tempo, reorganizamo-nos em grupos mais pequenos e dirigimo-nos a duas ou três confeitarias locais. Na “Panadería Crucero” onde estive por exemplo, a Napolitana, era uma delícia, aliás todos os bolos eram deliciosos e de tamanho generoso, o que é excelente, para os mais gulosos!

Se me permitem, vou fazer um pequeno apontamento, relativamente a Porrinõ, onde terminou a nossa penúltima etapa. Porriño é atravessado pelo rio Louro, afluente do rio Minho e ocupa o centro do amplo Vale da Louriña. No extremo sul da cidade existe uma zona pantanosa chamada Gândaras de Budiño, área de nidificação de aves migratórias, que é considerada um dos ecossistemas mais ricos da Europa. Interessante não acham?

A nossa 9.ª aventura começou então na Rua Queimalinos mesmo ao lado do Albergue dos Peregrinos. Pelo caminho passamos por um dos arcos do viaduto de Pontevedra inaugurado em 1884 e finalmente intercetamos a Estrada N550 onde nos deparamos com a Capela barroca de Santa Mariña. Para trás ficou a simpática vila de Redondela.
O concelho de Redondela situa-se no sudoeste da Galiza, na margem esquerda da ria de Vigo, em frente à enseada de São Simão, onde se localiza igualmente o arquipélago homónimo. A capital, Santiago de Redondela, fica a cerca de 12 km a nordeste de Vigo.

A paisagem do concelho é marcada pelos dois grandes viadutos ferroviários construídos no século XIX. Ambos estão classificados como Bem de Interesse Cultural desde 1978 e originaram que Redondela passasse a ser conhecida como a "vila dos viadutos".
O mais antigo é o de Madrid, a sua construção combinou a técnica, então vanguardista do ferro forjado, usado no tabuleiro e a estrutura de treliça que é sustentada pela tradicional cantaria dos pilares. A sua construção foi iniciada em 1872, tendo sido inaugurada a 30 de junho de 1876. Tem 255,9 metros de comprimento e esteve ao serviço da população até 1971. O outro viaduto é o de Pontevedra, inaugurado em 30 de junho de 1884, para servir o prolongamento do traçado de Pontevedra até Redondela e Vigo. Mais curto que o viaduto de Madrid, o de Pontevedra diferencia-se também pelo facto dos pilares serem metálicos, como o tabuleiro. Em 1889, com a abertura do troço Carril - Pontevedra, passou a ser possível viajar entre Santiago e Vigo e entre Santiago e Madrid.
Segundo pesquisei, existe pelo menos uma igreja em cada uma das treze paróquias, cada qual com caraterísticas muito peculiares, no entanto há que destacar, a Igreja paroquial de Santiago que situa-se na zona mais alta da parte antiga da vila de Redondela, em pleno caminho de Santiago, a Igreja paroquial de Cedeira, igreja barroca, com planta em cruz latina com uma só nave, distribuída em dois tramos que praticamente não sofreu alterações desde o século XVIII e o Convento de Vilavella que se situa na paróquia homónima, perto do centro de Redondela. Foi fundado em 1501 e esteve ocupado pelas freiras de São Lourenço Justiniano. Do traçado original conserva-se a igreja com cinco tramos.
A Praia de Cesantes, a Enseada de São Simão, o Monte da Peneda são outros pontos turísticos a visitar.

Meus caríssimos aventureiros sabiam que Redondela é ele também um concelho propício para a prática de caminhadas e outros desportos ao ar livre, como o ciclismo de montanha e passeios a cavalo? Pois é, o município é atravessado por três percursos pedestres de grande distância, os chamados trilhos de Grande Rota ou G.R. e dois de caráter local.
O mais conhecido é o Sendeiro das Greas, que na área do concelho coincide com o Sendeiro Rural de Galicia e o Caminho da Franqueira e, claro está, o Caminho Português de Santiago.
Outros percursos locais de menor extensão são a Senda da Auga ("senda da água"), que percorre o caminho da água que abastecia Vigo e a Rota das Pedras.
Durante o percurso deparamo-nos com algumas subidas exigentes, mas não tão extenuantes como as que encontramos na nossa querida Serra da Labruja mas, como recompensa, tivemos sempre a Ria de Vigo a acompanhar-nos nestes momentos mais difíceis.
Tal como aconteceu na etapa anterior, tivemos que caminhar com precaução na N550 onde passamos inclusivamente por um troço onde ocorrem infelizmente muitos acidentes, pelo que apelo a todos os peregrinos que circulem com atenção redobrada!
Cesantes,Tuimil, Arcade, são exemplo de localidades por onde passamos, todas elas com características arquitetónicas muito singulares e acompanhadas de uma vegetação refrescante. Foi nesta última localidade simpática, por exemplo, que optamos por fazer uma pequena paragem técnica. Muito Obrigada ao Restaurante Avenida pela simpatia e hospitalidade. Foi o primeiro carimbo da etapa, pois está claro!

Mais tarde, chegamos à emblemática Ponte de Sampaio sobre o Rio Verdugo.
Nesta ponte foi travada uma batalha contra as tropas napoleónicas francesas em 7 e 8 de junho de 1809, que ficou conhecida como a batalha de Ponte Sampaio, decisiva na Guerra da Independência Espanhola, e que pôs fim, a cinco meses de ocupação francesa. A batalha é também conhecida como a Muinheira de Ponte Sampaio, a música que se supõe ter sido tocada durante os combates que tiveram lugar nas margens do rio Verdugo.
Deveriam ser aproximadamente 13 horas portuguesas quando paramos para almoçar no parque municipal. Após o almoço fomos tomar cafezinho e carimbar as nossas credenciais no café “ A Romana”.
Repostos os níveis calóricos fomos confrontados com mais uma subida. A subida do Brea Vella que alterna trechos de pedras irregulares com outros de terra e cascalho e que compreende, as localidades de Figueirido, pertencente ao concelho de Vilaboa, Boullosa, Alcouce e Santa Comba de Bértola.

Aqui em Bértola, fomos visitar a Capela de Santa Marta, que remonta ao ano de 1617 onde o nosso amigo e guia Oliveira prontificou-se para carimbar os nossos passaportes. Obrigada Oliveirinha!
No lugar de “O Pobo” optamos por um percurso alternativo de maneira a evitar a estrada.
Este percurso pedonal que percorre as margens do Rio Tomeza levou-nos até Pontevedra.
Pontevedra, cidade e capital da região turística das Rias Baixas e do Caminho Português de Santiago, encontra-se a 110 km a sul da Corunha, 60 km a sul de Santiago de Compostela, 105 km a noroeste de Ourense e 50 km a norte da fronteira portuguesa (Tui-Valença).

O concelho é constituído por cerca de 18 paróquias civis e por imensos bairros. Historicamente, o mais conhecido é o Burgo, mas Mollabao, Parda, Valdecorvos, La Seca e Salgueiriños são outros bairros importantes da cidade.
Em 2014 a ONU outorgou a Pontevedra o prémio Habitat pela sua qualidade da vida urbana e pelas suas políticas de mobilidade tendo-se convertido segundo este organismo internacional numa das melhores cidades europeias para viver. A cidade é um modelo a nível internacional e tem recebido prémios em Bruxelas, Nova Iorque, Hong Kong e Dubai. É a cidade galega que tem mais passeios para peões e espaços verdes por habitante.
A Capela da Virgem Peregrina, por exemplo, é um ponto turístico obrigatório para os peregrinos e por conseguinte fomos visitá-la. Último carimbo da etapa!

Já na camioneta não faltou o bolinho de chocolate oferecido por mim e pelo Facas feito pela Marta do CCD que estava divinal, os bolinhos típicos de Pontevedra oferecidos pelo nosso guia convidado Vitor, a bolinha caseira do Paulino e da esposa e para rematar o tradicional cafezinho do Sr. Américo.
Seriam aproximadamente 20:30 horas quando chegamos a Leça da Palmeira. Até à próxima etapa malta!

Leça da Palmeira, 1 de Março de 2018.

Paula Silva